O Homem que Queria Ser Rei: Cinema, Fraternidade e Orgulho Humano
No passado 5 de novembro de 2025, a R∴L∴ Delta celebrou o Dia Mundial do Cinema com uma sessão dedicada ao clássico O Homem que Queria Ser Rei, realizado por John Huston e protagonizado por Sean Connery e Michael Caine.
Mais do que uma homenagem à sétima arte, o evento foi uma experiência simbólica e iniciática, que uniu o prazer da reflexão cinematográfica à busca espiritual que inspira a nossa Loja.
O cinema, quando observado com olhar atento, é uma escola de sabedoria. E este filme, baseado num conto de Rudyard Kipling, também Maçon, revela-se uma parábola sobre orgulho, fraternidade e queda moral, temas profundamente atuais e universais.
O Filme e o Seu Simbolismo
Realizado em 1975, O Homem que Queria Ser Rei acompanha dois aventureiros britânicos que, movidos pela ambição e pela fraternidade, procuram conquistar um reino remoto nas montanhas do Afeganistão.
O enredo, aparentemente épico, é na verdade uma alegoria sobre a condição humana: o poder que cega, a amizade que eleva, e o orgulho que precipita a queda.
No olhar maçónico, o filme transforma-se numa iniciação simbólica. Cada personagem representa um aspeto da alma em construção — o idealismo, a tentação e a consciência.
À medida que a narrativa avança, o espectador é convidado a refletir sobre a própria jornada interior: o que é ser “rei” de si mesmo? Que limites deve ter o poder sem sabedoria?
Entre a Fraternidade e o Orgulho: Lições Maçónicas do Filme
A história de Peachy Carnehan e Daniel Dravot — os protagonistas — é uma verdadeira parábola sobre o orgulho humano e a queda espiritual. Unidos pela fraternidade, os dois homens ascendem pela coragem e pela confiança mútua. Contudo, quando o orgulho suplanta a humildade, a fraternidade desfaz-se e a tragédia instala-se.
Esta dinâmica reflete o caminho iniciático do Maçon, que aprende a reconhecer os seus limites, a vencer o ego e a transformar o poder em serviço.
“O Homem que Queria Ser Rei” mostra que a verdadeira realeza é interior: é o domínio sobre si, não sobre os outros.
Assim como na oficina simbólica, cada erro dos protagonistas torna-se uma lição moral — uma queda que conduz à compreensão.
A Experiência na R∴L∴ Delta: Cinema como Caminho de Reflexão
A sessão foi o culminar do Ciclo de Cinema Filosófico da R∴L∴ Delta, um projeto que procurou aproximar arte, filosofia e espiritualidade.
Mais do que assistir a um filme, os Irmãos foram convidados a refletir sobre os seus significados simbólicos, debatendo-os num ambiente fraterno e livre de dogmas.
Este encontro de novembro destacou-se pela profundidade do diálogo: discutiram-se temas como o poder e a moral, a fraternidade e o sacrifício, e a sabedoria que nasce da queda.
O cinema serviu, assim, como um espelho iniciático — uma forma moderna de contemplar a Luz através das sombras da ficção.
O Significado de Celebrar o Dia Mundial do Cinema
Celebrar o Dia Mundial do Cinema não é apenas recordar a história de uma arte. É reconhecer o poder transformador das imagens, a capacidade que o cinema tem de iluminar consciências e despertar a reflexão.
Para a R∴L∴ Delta, o cinema é um veículo de iniciação simbólica, uma ferramenta de autoconhecimento que fala à mente e ao coração.
Num tempo de ruído e distração, sentar-se para ver um filme como O Homem que Queria Ser Rei é um ato quase meditativo. É um momento de silêncio interior e partilha fraterna, em que cada espectador se vê refletido nas personagens e nas suas escolhas.
O filme de John Huston termina com uma lição intemporal: o poder sem sabedoria conduz à ruína, mas a fraternidade permanece como semente de Luz.
Cada ser humano é, à sua maneira, um “homem que queria ser rei” — alguém em busca de sentido, reconhecimento e transcendência.
Na R∴L∴ Delta, acreditamos que a verdadeira realeza é o domínio de si mesmo, e que o caminho iniciático é o processo de transformar orgulho em sabedoria e ambição em serviço.



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