A Ligação Francesa Original e os seus Laços de Fraternidade
Texto Original, em Inglês, do Ir.’. Dale A. Brill, publicado na “The Florida Mason”, Vol. 4, Edição 2 | Tradução de Afonso Costa
Poucas figuras na História encarnam de forma tão plena os ideais maçónicos da Liberdade, Fraternidade e Esclarecimento quanto o Marquês de Lafayette. Corajoso desde muito jovem, Lafayette dedicou-se à causa da Fraternidade na França e no estrangeiro. Esses princípios levaram-no a combater ao lado de Benjamin Franklin, de George Washington e da Loja Les Neuf Sœurs, em defesa das liberdades civis através do Atlântico, apoiando a independência americana e inspirando a revolução na sua terra natal.
Apesar disso, é frequentemente esquecido ou subestimado o papel decisivo que desempenhou na formação da amizade franco-americana, amizade que persiste até hoje.
Lafayette nasceu em Le Puy-en-Velay, no Limousin, e ficou órfão muito cedo. O seu pai morreu quando ele tinha apenas dois anos, na Batalha de Minden, durante a Guerra dos Sete Anos. A sua mãe faleceu alguns anos depois, deixando-lhe uma herança considerável. Educado entre a nobreza, Lafayette desenvolveu cedo um profundo sentido de honra, dever e liberdade.
Casou jovem com Adrienne de Noailles, pertencente a uma das famílias mais influentes de França. Apesar da sua posição privilegiada, Lafayette sentia-se atraído pelas ideias de liberdade que circulavam nos meios intelectuais europeus, especialmente após o contacto com os escritos de pensadores iluministas.
Quando eclodiu a Revolução Americana, Lafayette decidiu, contra a vontade do rei Luís XVI, apoiar os colonos americanos. Em 1777, com apenas 19 anos, atravessou o Atlântico por sua própria conta, oferecendo-se para servir sem remuneração no Exército Continental. Foi recebido por George Washington, com quem estabeleceu uma relação profunda de amizade, quase paternal.
Lafayette distinguiu-se em várias batalhas, sendo ferido em Brandywine. Demonstrou grande coragem e liderança, contribuindo decisivamente para a moral e organização das tropas americanas. Tornou-se General de Divisão e desempenhou papel importante na vitória de Yorktown, em 1781, que praticamente selou o destino da guerra.
Paralelamente, Lafayette era Maçon ativo. A sua adesão à Maçonaria reforçou os laços com figuras como Franklin, Washington e outros líderes da Revolução. A Maçonaria funcionou como um verdadeiro espaço de convergência intelectual, ética e política entre europeus e americanos.
Após a vitória americana, Lafayette regressou a França como herói. Participou ativamente nos primeiros momentos da Revolução Francesa, defendendo uma monarquia constitucional e os direitos do Homem. No entanto, os excessos do período revolucionário acabaram por o afastar dos centros de poder. Foi preso durante vários anos em território austríaco.
Libertado, regressou à França e manteve-se uma figura respeitada, embora politicamente marginalizada. Em 1824, foi convidado oficialmente pelos Estados Unidos para uma grande viagem de homenagem. Percorreu o país inteiro como “o hóspede da Nação”, sendo recebido com entusiasmo popular e honras de Estado.
Durante essa visita, Lafayette visitou o túmulo de Washington em Mount Vernon, num momento de profunda carga simbólica e emocional. Reafirmou-se, então, como elo vivo entre duas revoluções e dois continentes.
Lafayette faleceu em Paris, em 1834. Foi sepultado com terra trazida do solo americano, simbolizando a união eterna entre França e Estados Unidos. Em reconhecimento final, o Congresso dos Estados Unidos concedeu-lhe, postumamente, a cidadania honorária americana — distinção raríssima.



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