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Um espírito de aprendizagem

RLD.AprendizagemMaçonaria

Ao ingressar no Grau de Aprendiz, o Iniciado é chamado a lembrar-se que deve, ao longo de toda a sua vida, de que pode sempre melhorar e progredir em conhecimento; de que deve procurar o conselho de Irmãos mais velhos e instruídos, prontos a aconselhar e guiar; e de que, do mesmo modo, deverá manter-se sempre disposto a receber instrução e ensinamentos.

Mas estas ideias não se destinam apenas aos Aprendizes… Elas constituem um princípio permanente da Via e Vida Iniciática e, portanto, destinam-se a todos os Maçons. A Maçonaria não concebe o conhecimento como um obstáculo a ultrapassar, mas como um movimento contínuo, inseparável da própria vida. Aprender não é acumular; é transformar-se!

Com o passar do tempo, muitos de nós reconhecemos que ideias que outrora julgávamos definitivas se revelaram incompletas ou insuficientes. Esta constatação não é sinal de fraqueza, mas de crescimento. O progresso interior manifesta-se quando somos capazes de escutar o outro, compreender perspectivas diferentes e aceitar que, conclusões distintas, podem coexistir com respeito, dignidade e enriquecimento mútuo.

O conhecimento Maçónico não se reduz à memorização do ritual ou das suas passagens nem ao domínio da História da Ordem. Desde as suas origens, ele foi entendido como um exercício filosófico profundo, um estudo da Condição Humana, do Universo e do lugar que nele ocupamos, bem como da natureza das nossas relações. Esta busca exige mais do que repetir o que já sabemos: exige a coragem de nos confrontarmos com questões que nos inquietam, que desafiam as nossas certezas e expandem a nossa consciência.

Este é, então, o espírito do Primeiro Grau mas, na realidade, deve ser o estado de espírito de qualquer Maçon. Ser Aprendiz – e todos seremos eternos Aprendizes… – é manter-se maleável, resistir à rigidez do pensamento e recusar o conforto das convicções não examinadas, analisadas e confrontadas. Quando nos rodeamos apenas de vozes que confirmam aquilo que já pensamos, estagnamos. Mas quando permitimos que a nossa mente seja tensionada, questionada e, por vezes, contrariada, tornamo-nos verdadeiros Aprendizes: mais lúcidos, mais resilientes, mais humanos.

Ao contrário do que se possa pensar, não é o elogio constante que nos faz crescer; é o desafio respeitoso, a prova honesta e o confronto com a diferença que, verdadeiramente, exercitam o carácter, flexibilizam o espírito e aprofundam o discernimento. A Maçonaria não promove conflitos, antes o apuramento da razão; não o combate, mas o diálogo exigente; não a imposição, mas a escuta ativa.

As nossas Lojas não são escolas, no sentido profano do termo… São Oficinas de Transformação, onde a palavra circula, o silêncio ensina e a diversidade de experiências é matéria-prima para o trabalho interior. Cada troca, cada reflexão partilhada, cada dúvida acolhida constitui uma oportunidade para nos dobrarmos sem quebrar, para evoluirmos sem nos perdermos, para crescermos sem nos endurecermos.

Em última análise, o verdadeiro Maçon não é aquele que julga saber, mas aquele que nunca deixa de aprender. “Só sei que nada sei…”

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