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Morrer para Renascer!

Na Maç∴, o Solstício de Inverno é “uma festa solene celebrada (…) por ocasião do Solstício de Inverno, dedicada à Esperança”[1].

A palavra Solstício deriva do Latim e tem a sua raiz em solstitium, -ii, ou seja, sol + sistere, palavra que significa “que não se mexe”. Solstício de Inverno, também comummente designado como Solstício Hiemal ou Hibernal, é o momento em que qualquer um dos polos da Terra atinge sua inclinação máxima longe do Sol. Quer isto dizer que, é nesta altura em que o Sol atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do Equador. E é precisamente por isso que, quando ocorre no Inverno, é o dia com a noite mais longa do ano.

E apesar de o Solstício se reportar a um momento, normalmente é definido como durando um dia[2].

Trata-se de um momento importante, onde o evento era objeto de marcação para orientação de atividades culturais, acasalamento de animais, plantação de novas culturas, entre outros[3]. Daí que muitos calendários antigamente existentes tivessem uma base cíclica, alicerçada no Solstício de Inverno e no conceito de “ano renascido”[4], como é o caso do Hogmanay Escocês. É uma altura de renascimento, celebrada nas mais importantes culturas das mais variadas formas[5]. Assim, a noite mais longa do ano começava, paulatinamente, a caminhar para o dia mais longo do ano. Por este motivo, na Antiguidade, as iniciações ritualísticas e religiosas eram, na sua maioria, feitas neste momento, porquanto assim se assinalava a saída do mundo dos mortos[6] para a entrada no mundo dos vivos[7]. Assim, quem era iniciado, renascia para a Luz após a morte[8] [9].

O Solstício de Inverno tem igualmente associado o tema da união entre o Sol[10] com a Terra, enquanto simbólica do milagre do renascimento constante da vida e da sua preservação, nos contínuos ciclos do planeta.

Denote-se que, a Igreja Católica celebra nos solstícios os santos de nome João: S. João Batista no solstício de inverno e S. João Evangelista no solstício de verão. Estas figuras são muito importantes na Maçonaria, sendo considerados seus padroeiros, tal é a sua importância e centralidade.

“A própria destruição, que parece aos homens o termo das coisas, não é senão um meio de atingir, pela transformação, um estado mais perfeito, porque tudo morre para renascer, e nenhuma coisa se torna em nada.”[11]

É pois, preciso morrer, para nascer. Que venha a Luz!


[1] Dicionário Completo de Maçonaria, 1.ª Ed., Online, São Paulo, Página 91.

[2] A data e hora do Solstício varia de ano para ano sendo que, em 2021, o mesmo ocorre no dia 21 de dezembro, pelas 15 horas e 59 minutos.

[3] Por exemplo, era o momento de monitorização das quantidades de alimentos necessários para ultrapassar o período de Inverno, período que os Antigos denominada de “meses de fome”, sendo igualmente a altura do ano mais abundante de carne fresca pois era a altura em que os animais eram abatidos para se proceder à conserva da carne para os meses invernais. Vide, a este respeito, “A História do Natal”, em https://www.history.com/topics/christmas/history-of-christmas, consultado em 03.12.2021. Também era a altura em que a maior parte das bebidas se encontrava com o processo de fermentação concluído

[4] Para se saber mais sobre o tema, aconselhamos a leitura de LEEMING D.A., “Dying God”, Encyclopedia of Psychology and Religion, Ed. Springer, Boston, bem como o livro de JAMES GEORGE FRAZER, “The Golden Bough: A Study in Comparative Religion”, 1890, Ed. Macmillan and Co., cujo sumário pode ser consultado em https://en.wikipedia.org/wiki/The_Golden_Bough, consultado em 03.12.2021.

[5] Na Índia, temos o Makara Sankranti. No Irão, a noite de solstício é comemorada como “a noite de Yalda”, a noite mais longa e escura do ano. Na China, o solstício de inverno é celebrado como um dos Vinte e Quatro Termos Solares, denominado de Dongzhi. No Japão, é marcado pelo ritual do banho quente do Yuzu. Na cultura Judaica, existe uma lenda de Aggadha encontrada no tratado de Avodah Zarah que refere que Adão estabeleceu a tradição do jejum antes do solstício de inverno, sendo depois deste dia um momento de celebração que estaria, aliás, na base da Saturnália Romana. Na cultura Germânica, celebraria um festival neste dia denominado Yule (vide, a este respeito em particular, ANDREAS NORDBERG, “Jul, disting och förkyrklig tideräkning: Kalendrar och kalendariska riter i det förkristna Norden”, disponível para leitura em https://www.academia.edu/1366945).

[6] A noite, a Escuridão.

[7] O dia, a Luz.

[8] Os faraós egípcios eram “re”iniciados a cada Solstício de Inverno. Sobre o tema, veja-se “Os rituais de iniciação no Antigo Egipto”, disponível para leitura em http://aumagic.blogspot.com/2018/04/os-rituais-de-iniciacao-espiritual-do.html, consultado em 03.12.2021.

[9] Facto que pode igualmente demonstrar a forte importante do Solstício de Inverno para os Egípcios é também o facto de as Pirâmides terem sido construídas em alinhamento para receber o Sol de frente no dia do Solstício de Inverno.

[10] O Sol enquanto princípio masculino e a Terra enquanto princípio feminino.

[11] Frase atribuída a ALAN KARDEC.

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