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O que é a Maçonaria?

“A Maçonaria é uma associação livre de pessoas independentes, os quais não dependem senão da sua consciência e se empenham em pôr em prática um ideal de paz, de amor, de fraternidade para todos. Tem por fim o aperfeiçoamento moral da humanidade e por meio a propagação de uma verdadeira filantropia através do emprego dos usos e formas simbólicas.”[1]

O que é a Maçon∴? Como posso eu, de forma simples, explicar de uma forma concisa e clara, o que a caracteriza? Existirá uma definição que, em poucas palavras, nos ajude e nos esclareça? Será que existe uma definição que nos ajude a clarificar, desde logo, tudo aquilo que, no quotidiano, nas LL∴, nas Obed∴ ou nas nossas vidas, não é Maçonaria ou, então, não é maçónico?

Este trabalho surge assim, porque, por vezes, nos parece mais simples definir o que a Maçonaria não é do que aquilo que ela, efetivamente é ou procura ser. Este trabalho não é fechado; antes, eles transmite o que eu sinto e vou pensando com os meus botões, seja na labuta diária, seja no meio dos afazeres domésticos ou, quiçá, quando cada um de nós olha para as situações do quotidiano que nos entram pelos olhos.

Depois de longa procura[2], encontrei uma definição que me pareceu curta o suficiente para ser utilizada como crivo quotidiano por qualquer Ir∴. Segundo esta definição, Maçonaria é:

“Um sistema de moralidade velado na alegoria e ilustrado por símbolos”

Esta definição é uma citação sem referência[3] que se encontra no livro de ALBERT G. MACKEY, de 1882, denominado “The Symbolism of Freemasonry: Illustrating and Explaining Its Science and Philosophy, its Legends, Myths and Symbols.”[4]

Existem, pois, quatro palavras e/ou definições-chave no que ao conceito diz respeito: “sistema”; “moralidade”; “alegoria”; “símbolos”.

  • Sistema

A Maçon∴ é um sistema porquanto não mistura regras, máximas ou preceitos, quer se encontrem juntos ou separados, sem qualquer ordem ou desígnio. E o sistema é tão importante que até temos a definição de regularidade[5]!

  • Moralidade

No fundo, a moral é a doutrina da destrinça entre o certo e o errado, da Justiça, daquilo que é correto, decente, honesto, íntegro, justo e probo, conforme com as regras éticas e os bons costumes. Contém um conjunto de princípios e valores que deverão reger a conduta do Homem.

  • Alegoria

Oculto (velado) em alegorias. Em bom rigor, todo o sistema é uma elaborada e profícua alegoria da vida humana. Uma alegoria é um afastamento do modo direto de falar, no qual o sujeito real não é mencionado pelo nome, mas está mais ou menos velado, embora não oculto, sob as figuras de linguagem[6]. Em regra, a alegoria é uma história simples, que representa um ponto maior sobre a sociedade ou a natureza humana, cujos diferentes personagens podem representar figuras da vida real. Alegoria é, pois, um “modo indireto de representar uma coisa ou uma ideia sob a aparência de outra.”[7]

  • Símbolos

A utilização de símbolos na Maçonaria permite fazer com que, as alegorias, não fiquem ininteligíveis. Nessa medida, os símbolos que as acompanham e o seu significado, permitem antever a moralidade que está por detrás. Muitas vezes, a simbologia que esses símbolos contêm ficou perdida, esquecida ou não é certa, sendo importante o estudo e a reflexão para tornar essa simbologia mais clara e óbvia[8]. Estes símbolos, além de derivados da maçonaria operativa, foram obviamente concebidos para ensinar verdades morais e religiosas[9] dentro do sistema de moralidade maçónico.

Assim,

“Maçonaria significa, pois, construção. O maçon constrói o seu futuro tornando-se um homem melhor. A Maçonaria constrói o futuro da Humanidade, tornando-a mais justa e perfeita. Este objetivo está inscrito, como pedra angular, nas Constituições maçónicas do mundo moderno.”[10]


[1] Constituições da nossa G.’.L.’..

[2] Curiosamente, não parecem existir muitas definições. Existem ideias e aproximações mas definições concretas, não. Isto poderá ter que ver com o facto de a Maçonaria ter uma parte profundamente casuística e individual.

[3] Que, de acordo com a pesquisa realizada, muito provavelmente terá a sua raiz em William Preston. Para saber mais sobre o tema, veja-se: GEORGE BOYS-STONES, A Peculiar System of Morality: William Preston and the Definition of English Freemasonry, abril 2021, Edição do Autor. Para se saber mais sobre William Preston, recomenda-se a leitura da biografia publicada originalmente em fevereiro de 1923 no número 2 do volume I da Short Talk Bulletin, cuja leitura poderá ser realizada online em https://masonicworld.com/education/files/apr02/include/william%20preston.htm, consultado em 12.08.2022 ou da entrada na wikipedia em https://pt.wikipedia.org/wiki/William_Preston, consultado em 02.10.2022.

[4] O livro pode ser lido e consultado em https://www.gutenberg.org/files/11937/11937-h/11937-h.htm, sendo que foi consultado, pela última vez, em 01.10.2022.

[5] A este respeito, leia-se o excelente artigo “considerações sobre a regularidade maçónica”, disponível para leitura em https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2021/06/21/consideracoes-sobre-a-regularidade-maconica/, consultado em 12.08.2022.

[6] Sobre o ressurgimento da alegoria na atualidade, leia-se o excelente artigo “The Modern Rise of allegorical speak”, disponível para consulta em https://medium.com/@shydo/the-modern-rise-of-allegorical-speak-6c592ae701ff, lido e consultado em 27.09.2022

[7] Definição de “alegoria”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/alegoria, consultado em 01.10.2022.

[8] Veja-se ainda, recentemente, a questão quanto ao espelho na Cerimónia de Iniciação…

[9] Crê-se que poderá existir uma simbologia associada a símbolos que, pese embora possa ser considerada como verdadeira e legítima, não tem necessariamente um significado maçónico. Talvez seja importante tentar recuperar a simbologia perdida de muitos símbolos maçónicos e, por outro lado, procurar perceber qual a simbologia que é herança de antigos simbolismos ou produto de acidental adoção ou assimilação.

[10] Cf. ANTÓNIO ARNAUT, “Introdução à Maçonaria”, Imprensa da Universidade de Coimbra, junho 2017, página 17.

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